O crime foi gastar dinheiro público para entregar o negócio a privados.
Com aumentos de 56% também a CP seria rentável e fazia melhor serviço.
E não foram só os empreiteiros que ganharam, também a Comissão Executiva e os autarcas. Até se deram a si próprios prémios e não foi pouco.
Alguns jornalistas têm sempre que reverenciar alguém, e quando não existe, inventam, neste caso inventaram um presidente para a CULP.
Pode ler entrevista à agência LUSA n 'O Primeiro de Janeiro' (texto abaixo) ou na RTP online
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Comissão de Utentes da Linha da Póvoa criticam Metro Ligação à Póvoa “foi um desperdício”
Um desperdício. É assim que o presidente da Comissão de Utentes da Linha da Póvoa classifica os 252 milhões de euros gastos para levar o metro de superfície até à Póvoa de Varzim. Segundo Armando Herculano, teria sido mais bem empregue na ligação a Gondomar.
O presidente da Comissão de Utentes da Linha da Póvoa (CULP), Armando Herculano, considerou ontem que a substituição do comboio pelo metro na ligação Porto/Póvoa representou um “desperdício” de 252 milhões de euros.
“Tivemos quatro anos de sacrifício, com recurso a transportes rodoviários alternativos enquanto se faziam as obras, e o resultado traduz-se em viagens mais caras e mais demoradas”, disse o dirigente da CULP, que reclama representar três mil utentes diários do transporte público entre Póvoa de Varzim e Porto.
“Foi um desperdício de dinheiro. Se alguém ganhou com isto foram os empreiteiros”, acrescentou.
A empresa Metro do Porto inicia a 18 de Março a exploração de uma linha entre a rede já existente, na Senhora da Hora, e Póvoa de Varzim, com 24 quilómetros e 21 estações, e que custou 252 milhões de euros, incluindo 16 por cento para expropriações e 22 por cento para obras de inserção urbana.
“Nunca pedimos o metro. Bastava-nos que aplicassem um projecto da CP de 1989, que apontava para a duplicação da linha de comboio e que permitia uma efectiva redução do tempo de viagem”, disse Armando Herculano, preconizando que a prioridade devia dirigir-se para a Gondomar, com 40 mil habitantes a deslocarem-se diariamente para o Porto de autocarro.
Um estudo comparativo comboio/metro, elaborado pela própria CULP, indica que os utentes da linha da Póvoa vêem a sua despesa mensal de transportes passar de 29,5 para 46,25 euros (mais 56,8 por cento).
O sistema de bilhetes do metro não contempla passes sociais, pelo que para idosos e estudantes o agravamento dos custos mensais é de 96 por cento (de 14,8 para 46,25 euros). O presidente executivo da Metro do Porto, Oliveira Marques, anunciou entretanto que vai propor um tarifário social que aponta para descontos de 47 por cento para reformados e de 25 por cento para estudantes.
O estudo comparativo da CULP refere também que a viagem Porto/Póvoa pode demorar 71 minutos, mais 18 minutos do que a deslocação em comboio, reduzindo-se assim a velocidade comercial de 37,4 para 28 quilómetros horários.
Na sequência desse estudo, a empresa Metro do Porto decidiu já que a linha Porto/Póvoa terá também composições directas, apenas com paragem em Pedras Rubras e Vila do Conde, reduzindo o tempo de viagem em dez minutos, explicou Armando Herculano. Ainda assim, o metro será mais lento do que o comboio,assinalou.
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Compra
Os Tram-train
Segundo a empresa de Metro, está “em vias de ser adjudicada” a compra de 30 veículos mais rápidos, do tipo “Tram-train”, que atingirão os 100 quilómetros horários, mais 20 quilómetros do que as actuais composições “Eurotram”.
O primeiro concurso para a compra destas 30 carruagens foi anulado pela Metro do Porto, que resolveu lançar novo concurso, ganho pela empresa Bombardier.
O presidente da CULP contrapôs, contudo, que não tem informações sobre a cobertura orçamental para a compra destas carruagens.
Armando Herculano admitiu que estas novas carruagens representariam “alguma melhoria” face às composições “Eurotram”, “ainda assim abaixo do nível de conforto proporcionado pelos comboios”.
Com aumentos de 56% também a CP seria rentável e fazia melhor serviço.
E não foram só os empreiteiros que ganharam, também a Comissão Executiva e os autarcas. Até se deram a si próprios prémios e não foi pouco.
Alguns jornalistas têm sempre que reverenciar alguém, e quando não existe, inventam, neste caso inventaram um presidente para a CULP.
Pode ler entrevista à agência LUSA n 'O Primeiro de Janeiro' (texto abaixo) ou na RTP online
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Comissão de Utentes da Linha da Póvoa criticam Metro Ligação à Póvoa “foi um desperdício”
Um desperdício. É assim que o presidente da Comissão de Utentes da Linha da Póvoa classifica os 252 milhões de euros gastos para levar o metro de superfície até à Póvoa de Varzim. Segundo Armando Herculano, teria sido mais bem empregue na ligação a Gondomar.

“Tivemos quatro anos de sacrifício, com recurso a transportes rodoviários alternativos enquanto se faziam as obras, e o resultado traduz-se em viagens mais caras e mais demoradas”, disse o dirigente da CULP, que reclama representar três mil utentes diários do transporte público entre Póvoa de Varzim e Porto.
“Foi um desperdício de dinheiro. Se alguém ganhou com isto foram os empreiteiros”, acrescentou.
A empresa Metro do Porto inicia a 18 de Março a exploração de uma linha entre a rede já existente, na Senhora da Hora, e Póvoa de Varzim, com 24 quilómetros e 21 estações, e que custou 252 milhões de euros, incluindo 16 por cento para expropriações e 22 por cento para obras de inserção urbana.
“Nunca pedimos o metro. Bastava-nos que aplicassem um projecto da CP de 1989, que apontava para a duplicação da linha de comboio e que permitia uma efectiva redução do tempo de viagem”, disse Armando Herculano, preconizando que a prioridade devia dirigir-se para a Gondomar, com 40 mil habitantes a deslocarem-se diariamente para o Porto de autocarro.
Um estudo comparativo comboio/metro, elaborado pela própria CULP, indica que os utentes da linha da Póvoa vêem a sua despesa mensal de transportes passar de 29,5 para 46,25 euros (mais 56,8 por cento).
O sistema de bilhetes do metro não contempla passes sociais, pelo que para idosos e estudantes o agravamento dos custos mensais é de 96 por cento (de 14,8 para 46,25 euros). O presidente executivo da Metro do Porto, Oliveira Marques, anunciou entretanto que vai propor um tarifário social que aponta para descontos de 47 por cento para reformados e de 25 por cento para estudantes.
O estudo comparativo da CULP refere também que a viagem Porto/Póvoa pode demorar 71 minutos, mais 18 minutos do que a deslocação em comboio, reduzindo-se assim a velocidade comercial de 37,4 para 28 quilómetros horários.
Na sequência desse estudo, a empresa Metro do Porto decidiu já que a linha Porto/Póvoa terá também composições directas, apenas com paragem em Pedras Rubras e Vila do Conde, reduzindo o tempo de viagem em dez minutos, explicou Armando Herculano. Ainda assim, o metro será mais lento do que o comboio,assinalou.
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Compra
Os Tram-train
Segundo a empresa de Metro, está “em vias de ser adjudicada” a compra de 30 veículos mais rápidos, do tipo “Tram-train”, que atingirão os 100 quilómetros horários, mais 20 quilómetros do que as actuais composições “Eurotram”.
O primeiro concurso para a compra destas 30 carruagens foi anulado pela Metro do Porto, que resolveu lançar novo concurso, ganho pela empresa Bombardier.
O presidente da CULP contrapôs, contudo, que não tem informações sobre a cobertura orçamental para a compra destas carruagens.
Armando Herculano admitiu que estas novas carruagens representariam “alguma melhoria” face às composições “Eurotram”, “ainda assim abaixo do nível de conforto proporcionado pelos comboios”.
O Primeiro de Janeiro 02 de Março de 2006
3 comentários:
Bom dia,
Parabéns pelo blog e dinamismo demonstrados.
Acho que vamos ter este mesmo filme de milhões euros trocados por meia-duzia de minutos com a ligação TGV Porto/Lisboa....
Pedro
"pelo que para idosos e estudantes o agravamento dos custos mensais é de 96 por cento (de 14,8 para 46,25 euros)"
Desculpem lá mas de 14,8 para 46,25 é um agravamento de 212,5%!
Tem razão quanto ao erro de cálculo do agravamento do passe para estudante.
46,25/14,8 = 3,125 ou seja, 3,125-1 = 2,125 corresponde a um agravamento de 212,5%
entretanto está anunciada a implementação de passes sociais, no caso dos estudantes para Z6 será de 34,7€. O agravamento será nesse caso, de
34,7/14,8 = 2,34 ou seja, 2,34 -1 = 1,34 corresponde a 134% de agravamento.
Em qualquer dos casos o agravamento é descomunal, não tem contrapartida na melhoria do serviço, antes pelo contrário, e é implementado numa altura de crise económica, de um recorde de desemprego e quando os aumentos do sector público e privado ronda os 1,5%.
Quem é penalizado não é quem tem rendimento para andar de transporte individual mas aqueles cujo rendimento é menor, que já faz contas aos cêntimos para pagar os livros e o quarto dos seus filhos estudantes, ou seja, os mesmos do costume, aqueles que vão ver agravado a taxa moderadora do acesso à saúde, etc.
Obrigado pela sua atenção e ajuda.
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